Ele - Part5
O cinema ocupou-lhe a mente durante a noite e durante as horas que faltavam para a ida. O quarto de Auri estava numa gigante confusão e desarrumação. Era roupa em cima da cama, malas espalhadas pelo chão, a cómoda estava apinhada com maquilhagem, perfumes e cremes, na secretária eram folhas sobre folhas, livros sobre livros. A confusão era tal que nem espaço tinha para andar no quarto sem tropeçar em alguma coisa. Como não conseguia dormir decidiu pôr mãos à obra e limpar earrumar tudo em condições. Eram quatro da manhã do dia do cinema e estava Auri com a esfregona na mão a limpar o que lhe faltava, estava orgulhosa de si própria quando olhou à sua volta e viu tudo no sítio, limpo e a cheirar bem.
O cansaço apoderou-se dela e acabou por adormecer, estava a
sonhar que se encontrava sentada à beira mar com Hélio e, nisto, uma onda gigante
apareceu e os molhou completamente, olharam um para o outro e desataram às
gargalhadas, foi quando Auri pegou na mão do Hélio e a colocou sobre o seu
peito e lhe disse “Fazes bem” ele pegou na dela e foi violentamente sugada para
a realidade com o telemóvel a tocar a melhor amiga dela estava a ligar-lhe para a relembrar da sua festa e queria confirmar a presença dela, Auri confirmou-a e desligou o telemóvel e tento voltar conectar-se ao sonho mas sem sucesso.
Era meio-dia quando olhou para o roupeiro, depois de um
longo banho, começou a procurar algo para vestir. Algo confortável e rápido.
Estava indecisa entre a saia preta e branca e o vestido azul-marinho, optou
pelo segundo, calçou as suas sandálias de salto alto de cor salmão que
condiziam com a mala, quando abriu a porta da rua sentiu uma brisa fria então
decidiu levar, também, um casaco.
Iria almoçar na McDonald’s e esperar por
Hélio junto ao cinema, plano este que foi alterado quando recebeu uma mensagem
sua a perguntar onde iria almoçar.
Chegara ao McDonald’s primeiro que ele e começou a ficar
inquieta. Até então ainda não tinha caído na realidade, essa mesma que a deixou
a pensar e que lhe fizera crescer os nervos… ela estava à espera do rapaz que
mais lhe cativara a alma nos últimos tempos, iria almoçar com ele e iria ao cinema
com ele. Estava extasiada e simplesmente esqueceu o que a perturbara e decidiu
dedicar-se só ao momento e a ele.
Auri, estava discretamente encostada às escada rolantes a
ver se ele estava perto ou a chegar. Foi quando o viu, a correr para as escadas,
ficou paralisada com a beleza que ele irradiava. Estava de camisa cinzenta,
jeans e sapatilhas pretas, via-se que não se barbeava à alguns dias mas pelo
menos tinha um ar menos cansado.
Decidiu afastar-se do “esconderijo” e, colocou-se junto à fila para a McDonald’s
a olhar para a direcção das escadas rolantes. Quando Hélio apareceu sentiu o
coração a disparar e quase apostou que as faces ficaram mais rosadas.
Cumprimentaram-se e seguiram para a fila de espera. O almoço foi repleto de
conversas e tensão, ela estava feliz por estar ali com ele mas ao mesmo tempo
não conseguia afastar as imagens dele com a “namorada”.
Quando terminaram o almoço foram em direcção ao cinema. Decidiram
ir ver uma comédia. Auri, mesmo com os protestos dele, pagou os bilhetes e
ele, então, comprou as pipocas. Comprou um pacote enorme de pipocas que duraram
e sobraram. O filme foi bastante interessante e divertido. Não o sentiu muito concentrado
mas viu-o, pelo canto do olho, a olhar para ela, vezes e vezes sem conta.
Gostou da sensação de estar com ele e por momento só lhe apetecia pregar-lhe um
beijo. Não o fez mas ele aconteceu.
– Tenho uma
prenda para ti, Auri. Disse-lhe ele à saída do cinema
– Uma
prenda? Porquê?. Ficou curiosa e confusa ao mesmo tempo.
– Para que
nunca te esqueças de mim…
Mal ele
sabia o quanto lhe ocupava a mente.
– Não é como
se me fosse esquecer, mas está bem. Disse-lhe Auri com o ar mais inocente que
conseguiu.
– Fecha os
olhos.
Auri, contava
com um colar ou algo do género, nunca os lábios deles nos dela. Primeiro
derreteu-se por completo e queria corresponder-lhe mas depois surgiu-lhe o
turbilhão de sentimentos negativos e imagens relacionadas com a “outra”. O
impulso das imagens soltaram uma bofetada na bochecha dele, não o queria fazer,
nem sabe muito bem o porquê e arrependeu-se mal o fez mas não conseguiu
disfarçar a raiva que sentia por ele lhe estar a criar-lhe algo que ele não lhe
poderia vir a corresponder. Desatou a correr e deixou-o com a cara marcada e os
risos e êxtase da multidão à sua volta. Desceu as escadas e pôs-se numa corrida
em direcção a casa, esquecera-se foi que estava de saltos altos e quando deu
por si, estava estatelada no chão pois um dos saltos ficara preso num buraco.
Por sorte não magoou nada pelo menos exteriormente, internamente estava numa
decadente tristeza e quando deu por si com gotas a correm-lhe pela cara
novamente.
Ele estava a
consumir-lhe a pouca vitalidade que ainda restava daquela alma.
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