Nature

Encontra-te no inóspito.
Fecha-te ao sol.
Ouve-a.
Laivos gritantes de alegria,
Numa fresca barulheira.
Fecha-te com ela,
Na ondulação do seu uivo.

Atordoou-a a alma,
Tal a violência da sua música.
Não cansa ouvi-la.
É uma sensação de completa anestesia
Ópio a entrar nas vias.

Não se consegue ouvir mais nada
Apenas a paz
Apenas a calmaria
Apenas a liberdade.
Quero ser como tu
Correr por esses leitos fora,
Alegre,
Vibrante.
Numa paixão eminente.

Quero que as palavras surjam.
Como a água flui neste rio.
Silenciosas.
Mas com força,
Com grandiosidade.

A brisa na pele;
O sol na nuca;
A frescura na palma da mão.
A caneta na alma;
O papel escrito.

Só quero escrever,
Gritar os versos,
Como o som desta corrente
No desespero dos seus gritos de liberdade.
Mas livre és,
Presa, às pedras, estou eu.
Como estas folhas com cheiro a passado.



Canta para mim
Trás à minha alma música.
Sinto-me como estas bolhas na água
A rebentar...
Elas com a pressão
Eu com a indecisão.

Só preciso de te ouvir a ti,
Ó doce harmonia,
Ensurdece-me com as tuas ideias
Limita-me a ti.

Quero fechar os olhos e perder-me,
Perder-me dentro de ti.
Aqui não existe tempo,
Apenas a constância dos teus movimentos.

Apaga este egoísmo,
Este oportunismo
Este orgulho em mim
Esta maneira de ver tudo.

Três pedras lançadas,
Três magoas apagadas,
Permanece esta saudade,
Numa alma corrompida.

Inunda-me,
Leva-me para o fundo
Deixa-me ver o sol por baixo da água.
Deixa-me flutuar,
Deixa-me ir,
Levemente.
Leva-me corrente a baixo.

Abraçada a ti.

Comentários