Ele - Part 7
Por
segundos, Auri pensou que iria ser ela a levar uma bofetada, não na cara como é
óbvio, mas sim psicológica, de Hélio. A reacção dele não poderia ter sido a mais
perfeita e a mais oportuna para limpar toda a tristeza que Auri sentia.
Depois
de proferidas as palavras “Eu Amo-te”, Hélio tira os óculos, aproxima-se de Auri,
olha-a nos olhos e presenteou-a com um doce e demorado beijo. A violência dos sentimentos
era tal que Auri não conseguia controlar o próprio batimento cardíaco ou as
próprias lágrimas. Chorava, não por tristeza, mas pela alegria que aquele ser
humano lhe causava, conhecia-o levemente mas era o quanto bastava para a
completar.
Desta
vez, Auri pode verdadeiramente aproveitar o beijo, pode sentir tudo e apreciar
tudo até ao último segundo. Começaram por beijar-se intensamente, numa energia
inesgotável, numa ansiedade de se devorarem como se fossem uma labareda a
lavrar em campo seco. Sem conseguirem respirar, pararam e olharam-se, foi,
então, que Auri o puxou e o beijou. Queria-o, queria sentir a textura dos seus
lábios nos seus, queria sentir o seu abraço, o seu cheiro, o seu sabor, começaram
num beijo lento, carinhoso e explorador. A impaciência de se conheceram melhor era
de mais e deixaram-se levar pelo furacão de sentimentos que estava a sentir e a
viver, houvesse o que houvesse eles tinham-se um ao outro.
Findo
aquele momento de erupção, Hélio reparou no queixo de Auri.
- Que aconteceu com o teu queixo? – Perguntou-lhe, tocando-lhe
ao de leve na face.
- Isto não foi nada… - Disse-se Auri tentado não dar
importância.
- É alguma coisa… Tens pontos e tudo! Que se passou? –.
- Quando sai do fórum… depois do beijo e … pronto… sai
a correr, só que estava com saltos e cai e devo ter batido em algum sítio. – Tentou
resumir o mais possível desviando, com isso possíveis pensamentos sobre outras
coisas.
Olhou-o nos olhos e viu que ele estava preocupado e
como prova do que pensara estava certo, ele pegou-lhe no rosto com as mãos e
depositou-lhe um demorado beijo nos lábios. Auri docemente disse-lhe:
- Foram só dois pontos Hélio, já tive pior, a sério,
não te preocupes. Para além disso, a culpa foi minha, não tua. - mal acabara de dizer aquelas palavras
arrependeu-se logo, pois esperava que ele a não questionasse sobre o “pior”,
Auri não queria nada recordar aquele “pior” pois ainda carregava com ela
cicatrizes mal fechadas.
- Ainda assim… Não consigo não me preocupar. És muito
importante para mim, Auri. – Ela derreteu-se por completo com aquelas palavras.
Sem dúvida alguma que amava Hélio, amava-o e não havia
adjectivos para descrever tudo o que sentia naquele momento.
Por fim, decidiram ir dar um passeio pelo parque e aproveitar
os raios de sol que timidamente, começavam aparecer.
Acabaram por se sentar num banco a observar o sol a
desvanecer-se no horizonte.
Auri olhou para Hélio e disse-lhe:
- Não vamos
deixar que ninguém nos separe, nunca!
E beijaram-se apaixonadamente.
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