Ele - part4


A descoberta da namorada veio alterar tudo. Aquilo que Auri sentia por Hélio começou de tal maneira a desvanecer que nem conseguia apagar a tristeza que lhe ia na alma. Depois de tudo o que acontecera com eles, aquela tinha sido a bofetada que mais lhe vincou a pele. 
Porém, o certo é que ainda não era oficial esse facto e, ainda, não tinha nada sido confirmado, pelo menos por ele.
Ela tentou várias vezes confrontá-lo com a pergunta, durante aquela semana, mas faltava-lhe a coragem e, o simples pensamento que podiam vir a deixar de falar dava-lhe ainda mais tristeza ao seu pobre coração.
Numa manhã em que não tinha tido aulas decidiu, ao acordar, fazer uma corrida. Estava um ar abafado e o sol estava encoberto, vendo-se as nuvens a ficarem carregadas de chuva. Estava a correr pela avenida quando os viu. Ela era alta morena, com grandes olhos castanhos e um corpo fabulosamente bem feito, estavam perdidos numa conversa de risos e cumplicidade, Auri ficou chocada.
De rompante, deu numa corrida até sua casa, entrou, ligou o chuveiro no máximo e depositou o corpo debaixo da água gelada. “O que fui eu sentir”, pensou. Começaram a escorregar-lhe enormes gotas pela face. Estava completamente gelada, devastada, cansada e desiludida. O que se estava a tornar algo mágico virou macabro.
Não aguentando muito mais aquela temperatura e começou a pouco, e pouco a ligar a água quente. Ao fim do duche, deitou-se na cama, num choro compulsivo. No fundo, não conseguia explicar porque sentia aquilo, ele era apenas um conhecido com quem falava, trocava mensagens e opiniões. Adormeceu naquilo e foi acordada com o som do telemóvel, era uma mensagem dele. Tinha a cabeça a latejar. Mas quando abriu a mensagem o coração disparou e deu por si com um sorriso nos lábios.
“Queres ir ao cinema um dia destes?”. E, acompanhada com aquela mensagem vinha a imagem de uma rosa vermelha lindíssima.
Ficou reticente mas depois pensou “ Auri, ele não sabe que gostas dele, dessa maneira, portanto que mal é que faz se vais ao cinema com um amigo?! Nenhum”. Acabou aceitando o pedido. A cabeça pedia-lhe para acabar aquilo, mas o coração continuava apoiar aquela paixão cega.
O dia estava acabar quando o passado lhe bate à porta numa mensagem assustadora.
“Tenho saudades tuas”. Disse!
Auri paralisou.

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