Ele - Part10


O fim-de-semana estava aproximar-se e o dia do aniversário do irmão de Auri também, ou seja ela teria de voltar à sua terra natal para comprar umas quantas flores para ir pôr na sua campa e, muito provavelmente, teria de se encontrar com umas quantas pessoas que não queria.
Por isso, decidiu ligar a Filipa e pedir para a "encobrir". Ao chegar, ela já a esperava no seu Fiat 500 vermelho.
 - Amiga! - Gritou ela ao sair do carro. - Como é bom voltar a rever-te.
 Auri abraçou-a e depositou a mala na bagageira. Ao entrar no carro, colocou os óculos de sol.
 - Compraste as flores? – Questionou Auri.
 - Sim, está tudo tratado. Vamos ao cemitério e vamos logo directas para minha casa! Ninguém irá dar pela tua presença, prometo.
 - Obrigada.
A chegada ao cemitério foi rápida e Filipa deixou Auri ir sozinha colocar as flores e estar alguns minutos junto do seu irmão. Auri, sentou-se sobre a campa e começou a deslumbrar na pedra granítica a fotografia do seu irmão. Os olhos encheram-se de lágrimas e estas não tardaram em lhe rolar pelo rosto todavia aquelas era lágrimas de saudades e toda a dor inicial agora era apenas uma memória.
Ao sair do cemitério, não repara num buraco que estava no chão e lá vai ela. Filipa sai do carro num salto.
 - Aurora! – Gritou
 - Estou bem, estou bem! – Disse ao levantar-se lentamente.
                                                                                              *
Passados aqueles dias era hora de volta à sua vida “normal” longe de tristes recordações e pesadelos, o raio de sol começava a luzir no horizonte era hora de regressar para Hélio.
No entanto, havia algo que Filipa lhe dissera numa das suas conversas que a fizera pensar. Hélio nunca lhe retribuiu os seus sentimentos, nunca lhe dissera que a amava mais precisamente. Disse-lhe que se preocupava com ela e preparou-lhe aquela surpresa mas ainda havia aquela peça que faltava. Não que estivesse totalmente preocupada mas era importante. E se aquilo que ele sentia não era amor? E se aquilo que ele sentia era apenas uma paixão do momento? Questões como estas começavam a ocupar a mente de Auri, felizmente, só durante o dia pois durante a noite havia sonhos fantásticos em que não havia medos ou dúvidas.
Quando se chegou a segunda-feira, Auri não tinha aulas da tarde da manhã. E recebeu uma mensagem deveras apaixonante.
“Sabes o que é que eu queria mesmo, Auri?” – Perguntou-lhe Hélio
“O quê?”
“ Que viesses para aqui para ao pé de mim”
Um smile envergonhado foi o que caracterizou aquele momento.
“Vais ter aulas, agora?”
“Não, ainda estava meia a dormir, quando recebi a tua mensagem!”
“A sério? E não queres vir até cá? Os meus pais ainda não chegaram, quer dizer, chegam hoje mas só logo à noite.”
Auri, ficou pensativa e queria muito aceitar mas pensou que, provavelmente, não deveria fazer.
“Oh, não sei, H.”
“Vem até cá, posso fazer-te o melhor pequeno-almoço da tua vida.”
Foi o quanto bastou para pôr fim aquela dúvida.
“Não me desiludas”
“Vou tentar”

                                                                                              *
Quando chegou a casa do Hélio, uma hora e meia depois este já a esperava de novo à janela. Quando a viu desapareceu e segundos depois lá estava ele com um enorme sorriso à porta de casa. Hélio ainda estava de pijama quando a recebeu com um caloroso beijinho, este deixou Auri entrar e mal fechou a porta abraçou-se a ela. Auri como estava de costas apenas cedeu ao carinho dele mas depressa se virou para sentir os seus lábios nos dela, o seu abraço no seu corpo, o seu calor na sua alma.
 - Hélio… – Interrompendo o beijo – Não me deixes, nunca!
 Hélio nem lhe respondeu, agarrou-a pelo pescoço e beijo-a sofregamente. Auri abraçou-o e correspondeu-lhe igualmente. Estavam loucos um pelo outro e era visível aquela paixão a léguas. Hélio por entre os beijos encaminhou a Auri para a sala, esta deixou-se levar pela onda do desejo e sentou-se no colo de Hélio quando este a puxou para si. Hélio levantou Auri e ainda no seu colo deitou-a suavemente no sofá, ela colocou-lhe as mãos por baixo da camisola dele para sentir a sua pele quente em contacto com a sua. Auri abriu os olhos e fixou-os nos de Hélio e parou.
 - Hélio – Disse por entre o beijo. – Amas-me?

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