Ele - part 9



 - Sim, e depois encontrai-me com ele na esplanada do parque e do nada saíram-me as palavras, Filipa. – Auri, contava entusiasticamente a história à sua melhor amiga. – Ficámos por lá a passear, vimos o pôr-do-sol e ele veio acompanhar-me até casa a pé. – Ambas estavam deitadas na cama de Auri a rir. – Depois ele convidou-me para ir a casa dele para irmos ver um filme. – Ela estava ao rubro. – E foi… espectacular, ele é super romântico, Filipa… Ai.
 - Sim, e…? – Insistiu Filipa.
 - Depois ele levou-me até ao quarto dele e…
 - Espera, espera, até ao quarto dele? Aurora?! – Interrompeu-a rindo.
 - Não aconteceu nada, quer dizer, aconteceu mas nada que envolva corpos demasiado envolvidos, um, num outro e mãos exploradoras e saltitantes. – Corou enquanto sorria.
- Hum… Então e depois, o que é aconteceu?
 - Bem, eu quando entrei no quarto fiquei extasiada, Filipa, estava tudo espectacular, mágico, lindo. Olha, tinha uma manta no chão daquelas felpudas e fofinhas, pétalas de rosa espalhadas, um monte de almofadas grandes, velas espalhadas por todo o lado, o computador para ver o filme e gelado para acompanhar.
 - Que cenário! – Via-se que estava a imaginar e sorriu feliz pela amiga. - Mas espera lá, tu declaras-te a ele, beijam-se e tal… Ele mais tarde convida-te para irem para sua casa envolve-te num cenário super romântico mas ele continua sem te fazer qualquer tipo de declaração que demonstre em palavras o que sente.
Auri, começou a pensar no que Filipa lhe dissera.
 - Oh – Disse pensativa. – Ele não o disse mas eu sinto, sabes, o modo como me olha, o modo como ele me beija, toca, acaricia, tudo. Tudo nele é mágico, tudo nele me faz quere-lo. Não sei, sabes, mas sinto que ele gosta verdadeiramente de mim.
 - Sabes como foi com o Rafael por isso…
 - Ele não é como esse… esse… monstro. E não me fales dele, nem me faças pensar nele já chega o que ele me fez passar! O Hélio completa-me, ele só com um olhar cura-me a alma, Filipa.
 - Desculpa, eu sei o quanto sofreste! E estou imensamente feliz por ti, só te quero ver a sorrir como antes. – baixou o olhar e agarrou na mão da amiga.
 - Ó amiga, eu sei disso e estou tão contente por me teres vindo visitar, precisava mesmo de estar contigo, falar contigo, tudo... – Abraçou-a.
 - De nada. E tu também me fazes imensa falta, sabias? Ninguém sabe de ti… toda a gente pensa que emigraste!
 - É melhor assim! Sabes, Filipa tu és a única que sabe que estou aqui e que me apoiou depois do acidente com o meu irmão, depois do que aquele anormal me fez, depois do desaparecimento da minha mãe… Não me deixes, nunca, ouviste? -  Abraçou-a
 - Nunca, Aurora!
Abraçaram-se e adormeceram. Felizes por se terem uma à outra.
                                                                                              *
Fazia três anos que o irmão de Auri morrera e por sorte ela estava ali. O acidente aconteceu quando ambos vinham de visitar os padrinhos dela que residiam numa povoação junto à Guarda. Decidiram ir de mota, numa Kawasaki Ninja, e a fazer uma curva deram de caras com um camião em contra mão em alta velocidade, Vasco, o irmão de Auri, não conseguiu desviar-se a tempo e embateu contra o veículo pesado. O condutor do pesado saiu ileso e o irmão de Auri, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e teve morte imediata, Auri ficou em coma, com um traumatismo craniano ligeiro, uma perna partida, a clavícula esquerda deslocada, uma serie de arranhões e queimaduras do alcatrão.
Quando acordou do coma e lhe disseram que o acontecera desmaiou e só voltou acordar dois dias depois e quando isso aconteceu desatou num pranto ao qual os enfermeiros tiveram de pôr fim, com carradas de tranquilizantes e sedativos. Foi uma semana complicada e foi Filipa quem acompanhou naquele sofrimento todo. O pai de Auri ficou também devastado e começou uma depressão que o levou mais tarde para um centro de psiquiatria.
Auri, não foi ao funeral, pois, só saiu do hospital três semanas após o acidente. O primeiro sitio onde se deslocou mal saiu de lá,  foi ao cemitério e chorou uma hora na campa dele, até ser encontrada por uma prima que tinha ido lá pelo mesmo motivo. Abraçou-a e levou-a a casa.
Estava sozinha e foi então que Rafael apareceu e não sabendo do que lhe acontecera deixa-lhe cobardemente uma carta debaixo da porta a dizer que queria acabar tudo com ela e nunca mais a queria ver.
Foi o fim.

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