Ele - Part 14
A discussão que se seguiu não foi
bonita e, Auri, gostaria de a ter evitado ao máximo, sentia uma raiva imensa
pelo segredo que a família fizera em relação à identidade do autor do acidente
do irmão de Auri, uma coisa era certa, nunca iria ser capaz de os perdoar.
Depois de Hélio entrar no quarto
a verdade fora revelada num misto de raiva e tristeza. O pai de Hélio estava
completamente devastado, Auri está extasiada e Hélio estava furioso.
- Hélio... Lamento imenso... Só te queríamos
proteger... – Disse-lhe o pai de Hélio.
- Proteger de quê? O que é que não me contaram? O que é que se passou?!
O pai dele sentou-se na cadeira e esperou que Hélio se sentasse também, o ambiente estava de cortar à faca, as emoções estavam ao rubro e as palavras estavam num colapso dentro de cada mente.
- Há três anos... Quando tive todos aqueles problemas e fui preso... – Começou por dizer.
- Sim, por causa do acidente e das mercadorias roubadas...
- Não... nós mentimos-te Hélio... As mercadorias que eu transportava não eram roubadas, não foi por isso que eu fui preso e tive de fazer serviço comunitário...A verdade é que eu estava atrasado. Ia um pouco com velocidade a mais para a carga excessiva que trazia lá atrás. Estava a chover... Foi tudo tão rápido...! Despistei-me, tentei travar, mas apenas fez com que o camião deslizasse, bati no separador da estrada, rompi-o até ao outro lado e acertei numa mota que ia a passar...
- Numa mota... Quem é que estava nessa mota!? – Hélio estava imensamente perturbado.
- O meu irmão! - Disse Auri com as lágrimas a correr em bica, toda aquela verdade estava a cortar-lhe o coração e a devastar-lhe a alma.
- E a Aurora também estava na mota... Foi um milagre ter sofrido tão poucos danos... Físicos pelo menos. – O pai de Hélio respirou fundo para conter as lágrimas.
- O que é que aconteceu ao irmão dela? Ele não...?
- Não sobreviveu... - Respondeu o pai com as lágrimas a começar a correr.
- E acharam que isso não era importante o suficiente para me contarem? - Explodiu - Como é que me podem ter escondido uma coisa destas?!
- Desculpa Hélio... Desculpem os dois.
- Achas que passados três anos é um pedido de desculpas que vai fazer diferença!? Sinceramente! Por que é que não me contaram!? Nem consigo olhar para ti, pai!
- Proteger de quê? O que é que não me contaram? O que é que se passou?!
O pai dele sentou-se na cadeira e esperou que Hélio se sentasse também, o ambiente estava de cortar à faca, as emoções estavam ao rubro e as palavras estavam num colapso dentro de cada mente.
- Há três anos... Quando tive todos aqueles problemas e fui preso... – Começou por dizer.
- Sim, por causa do acidente e das mercadorias roubadas...
- Não... nós mentimos-te Hélio... As mercadorias que eu transportava não eram roubadas, não foi por isso que eu fui preso e tive de fazer serviço comunitário...A verdade é que eu estava atrasado. Ia um pouco com velocidade a mais para a carga excessiva que trazia lá atrás. Estava a chover... Foi tudo tão rápido...! Despistei-me, tentei travar, mas apenas fez com que o camião deslizasse, bati no separador da estrada, rompi-o até ao outro lado e acertei numa mota que ia a passar...
- Numa mota... Quem é que estava nessa mota!? – Hélio estava imensamente perturbado.
- O meu irmão! - Disse Auri com as lágrimas a correr em bica, toda aquela verdade estava a cortar-lhe o coração e a devastar-lhe a alma.
- E a Aurora também estava na mota... Foi um milagre ter sofrido tão poucos danos... Físicos pelo menos. – O pai de Hélio respirou fundo para conter as lágrimas.
- O que é que aconteceu ao irmão dela? Ele não...?
- Não sobreviveu... - Respondeu o pai com as lágrimas a começar a correr.
- E acharam que isso não era importante o suficiente para me contarem? - Explodiu - Como é que me podem ter escondido uma coisa destas?!
- Desculpa Hélio... Desculpem os dois.
- Achas que passados três anos é um pedido de desculpas que vai fazer diferença!? Sinceramente! Por que é que não me contaram!? Nem consigo olhar para ti, pai!
Hélio estava completamente
transtornado com a situação, o pai de Hélio estava desfeito moralmente e Auri
sentia um vazio no peito, um ódio, uma reabertura ferida quase cicatrizada.
Ambos saíram de casa sem dizer
uma palavra, olharam um para o outro, não havia palavras, entraram no autocarro
e deixaram-se ir. Quando saíram ao pé do parque Hélio, olhou para Auri
comovido.
- Desculpa, Auri. – E abraçou-a.
Auri, correspondeu ao abraço e
quando Hélio a largou ela pegou-lhe nas mãos e olhou-o.
- Hélio, passaram-se três anos. Três anos. Eu
suportei a dor, sozinha, da perda do meu irmão, cada dia. Eu suportei a dor,
sozinha, da ausência da minha mãe e da depressão do meu pai. Eu não quero
voltar a viver tudo de novo. Quando vim viver para aqui, só queria fugir de
todos esses fantasmas e pensei durante algum tempo que não o conseguia,
felizmente encontrei-te e tudo voltou a ter sentido. Aquilo que o teu pai fez…
eu não tenho palavras para o descrever, neste momento, mas, estou certa de uma
coisa, o que aconteceu no passado pertence ao passado nada do que aconteceu
pode ser remediado ou mudado. O meu irmão está morto, o teu pai pagou por isso,
eu só quero seguir a minha vida para a frente sem andar sempre com fantasmas na
mala, entendes? Não foi justo, terem-nos escondido a verdade mas, por um lado,
agradeço que isso tenha acontecido pois podia ter-te conhecido pelas piores
razões e estar-te a odiar. Nada do que possa ser feito vai trazer de volta o
meu irmão, por isso, não adianta estar a voltar a folhear o passado, Hélio.
- Mas como é que os meus pais foram capazes de
me esconder uma coisa destas, Aurora? Não percebo. Nós sempre partilhamos tudo,
tudo. Não consigo olhar para nenhum deles neste momento, sinto-me tão magoado.
- Eles não te queriam ver a sofrer por causa
disso. Só o tempo faz com que a dor passe. Eu vou estar aqui, meu amor. Vamos
ambos suportar a dor um do outro e, ela vai desaparecer quando menos
esperar-mos vais ver.
- Eu amo-te tanto, Auri. Amo-te com todo o meu
coração, com toda a minha alma.
- E eu amo-te a ti, mais do que qualquer coisa
neste universo.
Abraçaram-se e beijaram-se
apaixonadamente.
*
Um mês passara e as coisas
começavam aos poucos a recompor-se. Hélio já falava, parcialmente, com a mãe
mas a situação com o pai não tinha melhorado. Auri, decidiu convidar Hélio para
irem ao cinema, algo que ele aceitou prontamente. Era sempre ele que fazia os
planos desta vez, foi Auri quem quis mudar o registo. Todos os encontros com
Hélio traziam-lhe sempre grande nervosismo pois queria estar sempre bem em
todos aqueles momentos. O cinema seria às 21:30h mas Auri começou a preparar-se
horas com antecedência. O quarto que outrora estava minimamente arrumado estava
agora com roupa por todo lado, que Auri ia vestido e experimentando mas como
não ia gostando de se ver atirava para a cama o que não queria. Optou por levar
um vestido preto caicai com um casaco de cor salmão e umas sandálias da mesma
cor. Arranjou o cabelo o máximo que conseguiu prendendo os caracóis com alguns
ganchos, colocou creme, um pouco de base, rímel e batom. E saiu de casa,
apanhou o autocarro e dirigiu-se ao cinema. Quando chegou lá, Hélio já lá
estava. Este não a vira chegar pois estava de costas a olhar para os cartazes de
filmes em exibição. Auri, tocou-lhe ao de leve nas costas e clareou a voz. Ele
virou-se com um largo sorriso.
- Uau – Disse ele. Preparando-se para a
beijar.
Ela corou. Cumprimentaram-se, Ele abraçou-a
calorosamente e deram um longo beijo, puxou-a mais para si e Auri pôs-lhe os
braços em volta do pescoço, ambos tinham-se esquecido de onde estavam e o tempo
parou quando os lábios deles se tocaram. Auri parou.
- Compraste os bilhetes?
- Sim. – Disse Hélio, tirou-os do bolso e
deu-lhe um.
Deram as mãos e foram em direcção
à sala onde iria ser o filme. Entraram e escolheram um lugar aconchegante e
discreto. A publicidade estava a começar quando Hélio começou a beijar o
pescoço de Auri.
- Tu és insaciável – Disse-lhe Auri, sorrindo.
- Quero-te tanto, meu anjo. – Sussurro-lhe ao
ouvido.
Auri, olhou para Hélio, nos
olhos. Ela também o queria, demasiado até. Beijou-o ao de leve nos lábios
despois de uma longa fuga às insistentes tentativas dele para a beijar. Auri,
tirou o casaco e sentiu as mãos de Hélio, a percorrem-lhe a coxa, por dentro do
vestido, até chegar à sua anca, estava completamente arrepiada de prazer. Hélio
não parava de a beijar até que foram violentamente interrompidos por um homem.
- Se querem fazer essas poucas vergonhas,
fiquem em casa. Se continuarem no marmelanço chamo o segurança, ao menos sejam
discretos e não façam sons. – Gritou ele umas bancadas mais a baixo. –
Crianças, pá! – Disse esbaforido.
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