Ele - Part 12



Foi quando esteve internada durante o acidente que tivera com o seu irmão que lhe descobriram uma ferida no estômago, Auri já se tinha apercebido das dores e das constantes convulsões no estômago que lhe iam provocando quase o vómito, nunca fora ao médico por causa disso pois pensara que era algo passageiro. Quando acordo do coma, a primeira coisa que lhe aconteceu foi vomitar tudo à sua volta foi então que os médicos descobriram o dito problema. Nada que não passa-se com uns quantos medicamentos.
Quando Auri deixou de os tomar passados alguns meses teve uma recaída e passou uma semana de cama com febre voltando assim a ter que tomar os medicamentos outrora receitados.
Passados dois anos, Auri, não teve necessidade de voltar a tomar medicamentos pois quando fizera o exame gástrico, disseram-lhe que estava tudo bem. Por essa altura, foi quando começou a fumar e esquecera-se do problema até agora.
Auri foi encontrada minutos depois, ironicamente, por Cláudia e pelas amigas, estas foram chamar Hélio e foram falar com uma funcionária que ligou imediatamente para a ambulância, esta que não tardou, aparecer.
Hélio, entrou em pânico quando viu Auri deitada no chão da casa de banho ensopada no vómito ensanguentado. Quando os bombeiros chegaram, Auri estava a começar a reanimar quando foi surpreendida por mais uma convulsão e acabando por vomitar ainda mais, agora o chão. Pousaram-na na maca e limparam-lhe o rosto, Auri estava zonza e mal podia falar, ouviu, ao longe a voz de Hélio, ainda lhe esticou a mão mas acabou por voltar a perder os sentidos. Correram para a ambulância e dirigiram-se ao hospital. Hélio e a funcionária da escola foram com ela.
Hélio estava horrorizado e bastante aflito por Auri, estava com uma expressão neutra mas percebia-se no seu olhar que estava tristíssimo. Passadas algumas horas, apareceu uma enfermeira a dar as novidades do estado de Auri:
 - Boa noite. Está aqui algum parente ou alguém conhecido da Menina Aurora? – perguntou amavelmente.
 - Sim. – Disse Hélio saltando da cadeira.
A funcionária da escola também lá se encontrava e também se levantou.
 - Trago boas notícias. A Aurora já se encontra bem e acordada.
 - Posso ir vê-la? – Perguntou Hélio com um sorriso de alívio.
 - Sim, podem. Peço-vos é que não a façam falar muito pois ela está muito fraca.
 - E sabe-nos dizer o que é que ela tem? – Perguntou a funcionária
 - A Aurora tem uma úlcera gástrica, que pelo que analisamos já não é recente. Soubemos que ela deixara de tomar os medicamentos algum tempo mas soubemos também que ela fuma e desconfiamos que tenha sido esse o motivo para a úlcera ter voltado a trazer-lhe problemas. Mas ela vai ficar bem, isto se deixar de fumar e tomar mais alguns medicamentos por algum tempo.
                                                                                              *
Auri, estava deitada de barriga para o ar e com os olhos fechados. Tinha a pele amarela e com marcas ainda do vómito quando Hélio entrou, ela abriu os olhos e desatou a chorar.
 - Ó meu anjo. – Disse-lhe ele, também comovido. – Pensei que te ia perder. – Beijou-a ao de leve na testa.
 Auri, não respondeu apenas lhe fez uma festa carinhosa na cara.
                                                                              *
Ela saiu ao outro dia do hospital e foram os pais de Hélio que a levaram. Ele falara com os pais e contou-lhe quem ela era e o seu relacionamento, fizera-o porque teve de dar uma justificação aos pais do porquê da hora da chegada dele no dia anterior. Hélio não lhes quis mentir e contou-lhe o sucedido e, eles, condescendentemente ofereceram-se para ir buscá-la e se ela quisesse podia ficar lá em casa para não estar sozinha, atitude que Hélio não se atreveu de todo a recusar.
Quando chegou ao hospital com os pais, Hélio pediu-lhes para a deixaram falar com ela, primeiro. Assim fez. A princípio, Auri recusou-se e estava decidida a opor-se totalmente. Mas depois ele fez-lhe ver que seria só até ela recuperar e para não estar sozinha, persuadida aceitou e foi.
Os pais de Hélio, Manuel e Helena, eram pessoas bastante simpáticas e amigáveis. Auri pediu-lhes que para passarem por casa dela para ir buscar as suas coisas e para tomar um banho. Auri, nunca pensou que Hélio fosse tomar tal atitude e ficou bastante emocionada com que ele fizera. Foi a casa, preparou-se e partiu.
Ao chegar a casa a mãe de Hélio diz-lhe:
 - Querida Aurora, ficarás no quarto de hóspede, quero que te sintas como em casa, não tem de haver qualquer tipo de embaraço ou constrangimento.
 - Muito obrigada Helena.
 - De nada. O Hélio irá acompanhar-te ao teu quarto e mostrar-te o resto das divisões.
Quando encontrou no quarto Auri, ficou abismada pela elegância. Helena era decoradora de interiores portanto não era de admirar o seu cuidado pelos pormenores
 - Nem acredito que estás aqui, meu anjo. – Disse-lhe Hélio, enquanto lhe dava um abraço.
 - Obrigado por tudo, Hélio, não sei como te posso agradecer, tudo o que estás a fazer por mim.
 - Não tens de agradecer, meu anjo. Sabes o quanto eu te amo.
 - E eu também te amo imenso. – Disse-lhe enquanto o puxava para si para o beijar.
Hélio pegou-lhe ao colo e deitou-a delicadamente na cama, Auri abraçou-se a ele.
Passados os beijos, adormeceram agarrados um ao outro.

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