Encontra-te no inóspito. Fecha-te ao sol. Ouve-a. Laivos gritantes de alegria, Numa fresca barulheira. Fecha-te com ela, Na ondulação do seu uivo. Atordoou-a a alma, Tal a violência da sua música. Não cansa ouvi-la. É uma sensação de completa anestesia Ópio a entrar nas vias. Não se consegue ouvir mais nada Apenas a paz Apenas a calmaria Apenas a liberdade. Quero ser como tu Correr por esses leitos fora, Alegre, Vibrante. Numa paixão eminente. Quero que as palavras surjam. Como a água flui neste rio. Silenciosas. Mas com força, Com grandiosidade. A brisa na pele; O sol na nuca; A frescura na palma da mão. A caneta na alma; O papel escrito. Só quero escrever, Gritar os versos, Como o som desta corrente No desespero dos seus gritos de liberdade. Mas livre és, Presa, às pedras, estou eu. Como estas folhas com cheiro a passado. Canta para mim Trás à minha alma música. Sinto-me como estas bolhas...
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