Ele - part3



Estava sentada no banco de jardim de sua casa a fumar e a ler o dito livro quando deu por si a pensar. A pensar o quão, a sua vida tinha mudado em apenas um ano. A sua mãe tinha desaparecido, o pai era um frustrado mal lhe dava noticias e ela era quem unia aquelas duas pontas ténues.
Aquela menina espevitada, sorridente e atrevida não era, nada mais, que uma adolescente com complexos e baixa auto-estima, mas, que escondia tudo isso com um fantástico sorriso e carradas corretor de olheiras.
Este rapaz veio ocupar-lhe a mente, o que começava ajudar a fechar aquele sufoco em que prevalecia.
Uma coisa era certa, depois daquela tarde, as coisas tinham mudado. Quando o viu no dia seguinte na escola, sentiu-se estranha e, ao trocaram olhares e acenos, já não sentiu aquele aperto na garganta como outrora, era como se olhasse para qualquer pessoa com a simples diferença de que aquela lhe alterava a intensidade dos batimentos cardíacos.
                                                                              *
Sentou-se no banco do átrio na escola a fumar e a ler. Deu por si, a olhar para ele. Aquele ser que a deixava a palpitar e, de quem, nem sequer o nome sabia, vergonhosamente. O seu sorriso, o jeito de passar a mão pelo cabelo, o pestanejar, a curva suave do seu sorriso, bom aquela descrição prolongava-se quando foi, de rompante, interrompida por umas amigas.
 - Auri, estávamos a combinar ir ao cinema. Não queres vir connosco? – Perguntou-lhe Sofia
 - Vão ver que filme?
 - Os instrumentos mortais. Acabou de sair. – Disse-lhe entusiasmada.
 - Parece-me bem.
 - Contamos contigo. Às 9h no fórum. – E despediram-se.
Por coincidência, ele fora também, mas não a vira. Sabia-o porque, só tinha reparado nele quando já estava a descer as escadas com os amigos. E foi aí que descobriu, finalmente, o seu nome.
 - Olha lá, Auri, aqueles que ali vão não são da nossa escola? – Perguntou-lhe Sofia, intrigada.
 - São. Olha, diz-me cá, como é que se chama o de camisa verde escura?
 - Chama-se Hélio.
 - Hélio! Então é isso. – Riu-se timidamente.
Enquanto guardava o nome dele na lista telefónica, mando-lhe um sms a dizer que o vira.
  - Sim. A namorada dele é a filha do diretor, sabias? – Disse-lhe Sofia, distraidamente.
 Perdeu qualquer pinga de sangue que tinha no corpo. Namorada?!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Nature