Um branco escrito...



Olho a página em branco, louca por escrever algo…. Uma alienação total da realidade. Talvez haja a realidade das contrariedades do desabafo....
Até que ponto estará a minha mente preparada para libertar tudo o que aqui navega?! Não serei capaz de responder… Quer dizer, há muito tempo que não respondo com a plena sinceridade ao que me é perguntado («Perguntei-me porquê,/Mas não me peçam para responder.»)
Quantas vezes redigi o mesmo texto? Quantas? Quantas vezes magoei este motorzinho palpitante por esperar algo que ficou morto nesses dia? Deixei de sentir, deixei de ter o que sentir. 
Talvez tenha atingido o limite do cansaço. O cansaço de esperar algo que não virá. Algo que nunca irei sentir. Algo que nunca atingirei. Parece derrotista (ou pessimista) este diálogo, mas a fé que me criou consumiu-me e, hoje, procuro mudar isso criando a minha própria plenitude de fé. 
Fé, palavra esta que leva ao sentido divino, celestial...imaginário.
Deixei de pertencer a esse coro utópico e passei a ser eu a ditar e a demandar as minhas regras do púlpito. As minhas leis, os meus sentidos, os meus pensamentos, as minha emoções, a minha raiva, o meu crer.


Despedir-me-ei, um dia...

A.

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