Diário Dela E.2009 -
O desfecho daquela história é, quase,
previsível …
Mas antes de chegar o obvio, há
história para contar… momentos que são recordados, discurso fragmentado, é
certo, mas que vai sendo clareado aos poucos….
Aquela foi a última tarde em que
se puderam tocar, conhecer ou falar…
Uma tarde longa que foi
esmorecendo com a descida do sol no horizonte, pintando o céu de tons
alaranjados, cinza e vermelho.
Aqueles dois humanos estavam
perto da despedida daquele dia e nenhum deles queria largar o que estavam a
sentir e a viver.
Já com uma claridade ofusca, era
hora de partir…. Mais uma vez Ele acompanhou-a a subir a íngreme avenida onde a
deixou a meio do caminho. Ela viu-o partir… T-shirt branca, calções pretos e mochila azul-bebé…
A energia daquele humano fazia com que Ela nunca o quisesse perder ou esquecer e começava a ameaça-la com certo sentimento, que notou tardiamente….
Ele era tudo o que ela queria mas
que não podia ter. Ele era fogo. Ela era a água. Mas a conexão de ambos fazia
com que a água fervesse…. Metaforicamente e ironicamente eles eram,
simplesmente, um só em dois corpos… claro está que, mais uma vez, isto tudo foi
sentido tardiamente…
Não se viram no dia seguinte… e
no dia a seguir ao anterior também não….
Até que chegou… o dia em que as
nuvens cobriram o sol, em que a agua gelou, em que areia deixou de ser quente e
fina, em que as ondas passaram a tornar-se violentas em que os sorrisos
começavam a virar lágrimas…. Lágrimas de despedida…
Não nos vamos ver mais, pois
não?! Perguntou-lhe Ela com a tristeza a inundar-lhe os olhos.
Ele encolheu os ombros…. E perguntou-lhe
Posso beijar-te?
Ela acenou, e virou-lhe a face tímida.
Ele abraçou-a calorosamente e beijou-lhe o pescoço. Conseguia-se ouvir o ritmo acelerado
dos corações… a praia estava cheia de gente que eles não ouviam ou viam… Eram
só eles embalados pelas ondas do mar a aquecer-lhes a alma.
Ele partiu…
O mundo dela desabou… Não jorrou
uma única lágrima daqueles olhos, naquele dia, ou no dia a seguir ou no que se
seguiu… Só surgiram quando a percepção da distância e de um amor correspondido serem
interpretados tarde demais…
O universo juntou aqueles dois átomos
e logo a seguir separou-os. Eles amaram-se mas acabou.
Ou será que não?
Fim...
A.
A.
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