Alva!

Vejo a minha imagem reflectida,
No fundo deste rio. Ó rio.
Alva que me salva,
Desta solidão incompreendida.

Ninguém está a ver o que vejo,
Caminho em direcção ao sol;
Aqui as imagens são diferentes.
O rio corre veloz, baixinho, calminho.

Em frente à casa do grande Mestre,
Penso como isto era há uns anos.
Será que Campos escreveu,
Virado à paisagem que deslumbro?

Vou voltar para onde estava.
Molho o pés.
A água fria, calma e discreta.
Arrepia-me a alma inquieta.

Voltei a olhar a casa do grande Mestre;
Agora olho de longe,
De janela aberta, o cortinado espreita.
Abana ao vento.

Uma truta veio dar o ar da sua graça,
Fez movimentar a corrente calma;
Tornando-a agora irregular,
Ondas circulares controversas.

É outono debaixo de um sol de Agosto,
Mas os pássaros clamam o frio que virá.
Prefiro este outono paciente.
Este que depena, lentamente, as árvores,
Demorando, assim, a pintar a tela.

Queria poder escrever em palavras,
Tudo o que vejo,
Mas, penso, que nem uma fotografia
Seria capaz de capturar estes instantes.

Queria poder passar dias assim,
A cantar o que vejo,
A ouvir o que sinto.
Reflectida no fundo deste rio.

A.

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